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Inclusão no Cooperativismo – a solução para uma mãe que só quer ver sua filha se desenvolver!
Data: 21/05/2018



O “Perfil Cooperado” surgiu com o objetivo de conhecermos mais sobre aquilo que está por trás dos números do Cooperativismo Capixaba, irmos além das questões financeiras e de desenvolvimento do setor e conhecermos mais sobre as pessoas que constroem as histórias de sucesso de cada Cooperativa do ES.

E a história de hoje está particularmente emocionante. Não só por se tratar de uma história de superação, mas acima de tudo por ser uma relação de amor de mãe e filha.

Hoje nós estamos apresentando uma parte da história de vida da Ana Beatriz Covre Zambaldi, dentista, casada, moradora de São Domingos do Norte, cooperada da Coopesg e mãe da Maria Clara, de 13 anos.

Maria Clara possui algumas dificuldades cognitivas e motoras. Nasceu com lesão cerebral e apesar de aparentemente ter vida normal, já passou por diversos problemas de saúde, fez cirurgia para conter crises epiléticas e faz uso de medicamentos diários. Iniciou os estudos como qualquer criança normal, mas só foi incluída na escola aos oito anos de idade, quando entrou para o segundo ano.

Quando perguntamos a Ana Beatriz o motivo de sua filha não ter sido incluída anteriormente, ela disse que na cidade onde moram, as coisas são complicadas. Na cidade só há escola da rede pública e talvez pelo fato de ser um município pequeno onde todos os conhecem, os professores tinham medo de lidar com ela. “Eles não acreditavam que ela tinha um potencial de desenvolvimento, que ela poderia aprender e se tornar alguém na vida. Que poderia ter um desenvolvimento, que por maior que fosse a dificuldade, tinha potencial. Então eles nunca investiram nela”, contou com lágrimas nos olhos.

Ana Beatriz conta que na época, descobriu que a filha tinha direito a uma estagiária para acompanhar na sala de aula. “Levei laudo, briguei por isso e apesar deles terem colocado a estagiária, ao invés dela incentivar a Maria Clara a fazer as tarefas, quem fazia era a estagiária. Era ela também quem copiava as matérias. E isso mostrava que eles acreditavam que ela não era capaz”, contou. 

“Ter direito é diferente de acreditar. Eu lutei, eu briguei e não tinha resposta. E muitas vezes ainda ouvia: Você exige demais, você quer demais. Dá um tempo para ela, as coisas vão acontecer em seu tempo. Só que eu percebia as coisas acontecendo com as outras crianças, mas ela estava ali, parada. Aí que me perguntava o que ela fazia uma tarde inteira na escola sem incentivo? Eu chegava na escola e as vezes ela tinha passado o dia sentada na cadeira, olhando para o quadro sem copiar uma matéria ou fazer qualquer exercício”.

Foram incontáveis as vezes que Ana Beatriz procurava professores e até diretores, mas a resposta que ela tinha era sempre a mesma: “Tudo que é possível está sendo feito, você exige demais da sua filha”. Mas para uma mãe, ouvir isso foi muito difícil.

DECISÃO PELA COOPESG

No início o fato de levar a Maria Clara para São Gabriel da Palha para estudar era bem complicado, por conta do deslocamento. Hoje existe um transporte escolar que faz o trajeto, mas naquele ano, Ana Beatriz foi a primeira. 

“Eu fiz esse trajeto durante 4 anos e meio, sozinha. Foram 4 anos e meio de luta, todos os dias levando e buscando. Mas foi tudo muito válido”, afirmou com convicção.

A mãe conta que, quando decidiu levar a filha para a Coopesg, era muito insegura, tinha medo e chorava bastante ao pensar sobre tudo que estava passando, por estar se deslocando e colocando suas vidas em risco diariamente. Ana Beatriz ainda contou que, durante esse tempo, não pode abandonar seu trabalho e ainda havia o agravante da Maria Clara apresentar diversos problemas de saúde. 

“Mas o bom disso tudo e o que nunca me fez desistir foi que tive muito apoio da escola. Eles me deixaram segura e receberam a Maria Clara de braços abertos”, emocionou-se. 

Ana Beatriz relembra que quando a filha chegou na Cooperativa, no segundo ano, ela mal sabia juntar as sílabas. “Ela lia ba – la, mas não conseguia ler bala. E aqui eles acreditaram nela, sabiam que ela tinha dificuldades, mas acreditaram nela”. 

Ela afirma que tudo foi uma questão de crescimento. “Nesse período que ela está aqui, ela tem evoluído muito. Graças a equipe, pois apesar de termos suporte em casa com professora particular, a Coopesg me deu muito apoio. Sempre que eu busco a Cooperativa, que não entendo algo ou preciso esclarecer algum assunto, tenho esclarecimento”. 

“No município onde a gente mora, onde ela fez a pré-escola, eu tive apenas uma professora, amiga minha de infância, que acreditou nela. Então o pouco que ela chegou sabendo aqui, ela aprendeu com uma única professora”, desabafou.

MEDO DA REJEIÇÃO

Outro medo que Beatriz tinha era com relação às amizades. “Quando eu a trouxe para cá, ela ainda tinha muita dificuldade motora e salivava bastante. Eu tinha medo da rejeição. Mas isso nunca aconteceu. A socialização dela é muito boa e apesar de ser tímida, esse processo na Coopesg foi algo extraordinário”, lembrou. 

Ana Beatriz conta que as vezes conversa com outras mães que tem filhos com dificuldades e muitas contam que os coleguinhas os rejeitam e a escola não dá apoio. 

“Mas na Coopesg temos a questão da inclusão muito bem resolvida, tanto por parte dos professores quanto por parte dos alunos. E eu acho que isso tem tudo a ver com o Cooperativismo”, afirmou.

“A minha experiência com o ensino público foi muito ruim, a gente não tem voz. E as mães com as quais converso que tem seus filhos em escolas particulares não cooperativas, me falam sobre um afastamento escola x família. As crianças tem que dar resultado, elas são apenas mais um número e aqui não! A Coopesg é família, é valorização do ser humano”, aponta. 

De maneira prática, uma criança que possui deficiência, gera mais transtorno dentro de uma escola, mas na Cooperativa a Maria Clara não é um problema e sim um desafio de crescimento e união. 

“Os professores se mobilizam tentando fazer tudo de forma diferente pois estão todos juntos. Uns ajudam os outros e lutam juntos para chegar a um resultado bom. Tudo aqui é mais humano e acredito que está tudo relacionado ao ato de cooperar”, conclui.

Maria Clara tem dificuldades de aprendizagem, acompanha o conteúdo da turma, faz as tarefas do livro, mas as provas são aplicadas com diferencial, é o mesmo conteúdo, trabalhado de maneira diferente, mais simples. 

A RELAÇÃO DA FAMÍLIA – PALAVRA DE MÃE 

Somos uma família muito unida. E sabemos que fizemos o que devia ser feito. Reconhecemos a importância da escola e do nosso sacrifício ao longo dos anos. Por mais que a criança tenha dificuldades, quando você estimula, ela dá resposta. Mesmo que de forma lenta, ela evolui. Cada um tem seu tempo sim, mas é preciso estimular. 



FONTE: ASCOM OCB/ES