Histórico da OCB/ES


HISTÓRICO DA OCB/ES


As primeiras Cooperativas, no Espírito Santo, nasceram no meio rural entre 1930 e 1940. Entre 1950 e 1958 foram criadas duas cooperativas de consumo e algumas cooperativas agrárias e, posteriormente, foram sendo criadas cooperativas nos ramos escolar, agropecuário, crédito urbano, crédito rural, habitacional e trabalho.
 
A partir da década de 60 a criação de cooperativas deu-se em maior escala, impulsionada por diversos fatores e influências. As principais condições que contribuíram para a evolução das cooperativas, principalmente no meio rural, foram a situação geográfica do Estado, a imigração européia (alemães e italianos), a Igreja Católica, o Serviço de Extensão Rural, o qual foi criado com o objetivo precípuo de ajudar a família rural a ajudar-se e a Associação de Crédito e Assistência Rural do Espírito Santo - ACARES - que posteriormente passou a se chamar EMATER-ES, hoje a IMCAPER, cuja filosofia se assemelhava à própria filosofia cooperativista.
 
A década de 60 despontou como um período de grandes transformações e com necessidades de apoio técnico e aumento da produtividade, além de vir delineando novos conceitos de mercado para produtos e comercialização. Outro fator importante foi o sentido de sobrevivência e o aumento da rentabilidade para os produtores rurais. O quadro era claro para o corpo técnico da ACARES e as cooperativas se apresentavam como um instrumento notável para a consecução desses objetivos, as quais eram carentes de um instrumental de técnicas para incentivo da agroindústria cooperativista no Estado. Por esta razão, foi incluído como meta prioritária no programa de trabalho de 1960 "o estímulo e orientação ao cooperativismo rural ".
 
Esse trabalho se desenvolveu, em grande parte, voltada aos produtores de leite e café, tendo como resultado a constituição de várias cooperativas agrárias com treinamento nas áreas administrativas, armazenagem, padronização e comércio. Nas cooperativas leiteiras foram introduzidos técnicas de produção de laticínios e industrialização. A maioria das cooperativas agrárias incluiam seções de consumo para oferecer insumos agrícolas e bens de consumo em geral para os cooperados e seus familiares.
 
A economia rural, na década de 60, representava cerca de 60% da renda bruta do Estado e, este fator aliado à imigração européia influenciou positivamente a criação e crescimento das cooperativas. Os imigrantes trouxeram para o Espírito Santo uma forte herança cultural dos seus países de origem, vez que as práticas associativas na Europa remontavam à idade medieval com as famosas corporações de ofícios. Historicamente o cooperativismo iniciou no século XIX, 1844, em Rochdale, Manchester na Inglaterra. Os italianos, alemães e outros povos que vieram para o Espírito Santo iniciar nova vida, estavam familiarizados com o trabalho em grupo, objetivo e resultados comuns porque já conheciam as cooperativas européias. Fica fácil entender que as condições estavam formadas para assimilar a nova filosofia no território espírito-santense.
 
Como exemplo citamos os chamados "grupos de venda"; grupos de cafeicultores de Afonso Cláudio, Domingos Martins e Santa Teresa que, sob a orientação da ACARES juntavam seus cafés até completar um caminhão que seria levado a Vitória para vender aos exportadores. Eram, como podemos notar, ações pré-cooperativistas que fundamentaram os conceitos e prepararam o terreno para a constituição das cooperativas no modelo que conhecemos.
 
A Igreja Católica, através da ação dos Padres da Ordem dos Combonianos, contribuíram para criação de várias cooperativas no Estado, face sua proximidade com as comunidades e conhecimento das suas necessidades. Entre outras, citamos a criação de cooperativas em Vinhático, Mantenópolis, Ecoporanga e São Gabriel da Palha, as quais surgiram com a ajuda e iniciativa dessa ordem de Padres.
 
O trabalho da ACARES foi realizado com a colaboração técnica de seu quadro funcional, formado por Engenheiros Agrônomos, Técnicos em Laticínios e Administradores, onde destacamos as seguintes pessoas: Pedro Burnier, Adilon Vargas de Souza, Aildson Vargas de Souza, Ailton Vargas de Souza, Maurício Viera de Carvalho e Roberto Godinho. Nas suas atividades, além das reuniões com as lideranças rurais para fomentar a criação de cooperativas, ministravam cursos, treinamento de conselheiros, contabilidade, qualidade do leite e outras formas de orientação e assessoria técnica. Esse trabalho teve um papel significativo e fundamental para o cooperativismo no período entre 1966 e 1970, época que ocorreu a erradicação do café.
 
A erradicação do café, implementada pelo Governo Federal, resultou na eliminação das lavouras cafeeiras. Podemos considerar uma ação desastrosa porque o resultado foi a extinção de várias plantações de café no Estado, sem haver incentivo de outro produto para substituí-lo, causando evasão de pequenos e médios agricultores que viviam das propriedades de exploração familiar e, também, meeiros. Sem produtos agrícolas substitutos para o café alguns se mudaram para a cidade, outros foram para Rondônia e Pará. As cooperativas foram profundamente afetadas, principalmente as agrárias de café, tornando-as ociosas, deficitárias e acarretando fechamento de várias delas.
 
As Cooperativas de Crédito Mútuo, na sua maioria, foram estimuladas e assistidas pela FELEME - Federação Leste Meridional das Cooperativas de Economia e Crédito Mútuo, que operava em âmbito nacional e foi desmembrada em várias Federações Estaduais. A FELEME tinha escritório no Rio de Janeiro e atendia o Espírito Santo. O desenvolvimento deste ramo no Estado se iniciou em 1961 e hoje possui várias cooperativas e duas Centrais de Crédito: Rural e Mútuo.
 
O Cooperativismo de Crédito Rural nasceu em Pedro Canário, na localidade de Cristal, em dezembro de 1986. Registra-se a marcante atuação, no incentivo ao Cooperativismo de Crédito Rural através do extinto BNCC - Banco Nacional de Crédito Cooperativo.






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